O exame de HPV mais sensível, disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já está acessível em pelo menos um município de 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. Esta inovação tecnológica permite que, após um resultado negativo, as mulheres aguardem até cinco anos para o próximo exame de rastreamento, conforme as diretrizes médicas. Este avanço representa uma mudança significativa na prevenção do câncer do colo do útero, um dos mais comuns entre a população feminina.
Relevância do exame de HPV
A principal vantagem deste novo exame reside na sua capacidade de identificar precocemente tipos de papilomavírus humano (HPV) associados ao câncer, antes mesmo que lesões se manifestem. Isso permite que os profissionais de saúde avaliem com maior precisão o risco para cada paciente, oferecendo um acompanhamento mais direcionado e eficiente. Comparado ao tradicional exame de Papanicolau, que geralmente é repetido a cada três anos após dois resultados normais, o teste molecular oferece a possibilidade de um intervalo maior quando não se identifica HPV de alto risco.
Implantação gradual e desafios
De acordo com o Ministério da Saúde, a implementação do exame ocorre de forma gradual em todo o país. Entre os anos de 2025 e 2026, um total de 153 mil amostras já foram coletadas. Entretanto, a disponibilidade do teste ainda depende de como cada município organiza seus serviços de saúde. O Espírito Santo, por exemplo, ainda está finalizando as etapas locais de implantação. Enquanto isso, o Papanicolau continua sendo uma alternativa segura e eficaz.
Entendendo a tecnologia DNA-HPV
O teste molecular DNA-HPV se diferencia por identificar o material genético de tipos de HPV que estão associados ao desenvolvimento do câncer, ao invés de buscar por alterações celulares no colo do útero, como faz o Papanicolau. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse método apresenta maior sensibilidade para detectar lesões precursoras, permitindo a identificação de situações de risco antes mesmo do surgimento de sintomas.
Estudos e recomendações
Um estudo brasileiro, divulgado na revista científica Scientific Reports em 2024, analisou 20.551 mulheres em um programa de rastreamento molecular realizado entre 2017 e 2022. Este estudo adotou o intervalo de cinco anos após resultados negativos, fornecendo evidências que embasam a implementação nacional do novo exame. O rastreamento é indicado principalmente para mulheres entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual, além de outras pessoas com colo do útero que atendam aos critérios das diretrizes brasileiras.
Acesso e orientações
A coleta do exame é realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) por profissionais capacitados. Em determinados casos, é possível realizar a autocoleta, desde que orientada por um profissional de saúde. No entanto, é importante ressaltar que a realização do exame ainda não está universalmente disponível em todas as UBS do país. Mulheres interessadas devem procurar a UBS de referência para verificar a oferta do teste e receber orientação adequada.
Considerações finais
Um resultado positivo para HPV não é sinônimo de diagnóstico de câncer, mas requer o acompanhamento sugerido pela equipe de saúde. Além disso, mesmo com a possibilidade de um intervalo de cinco anos entre testes, é fundamental não negligenciar consultas médicas ou avaliações, especialmente diante de sintomas como sangramentos fora do período menstrual ou após relações sexuais. A introdução desse exame mais sensível no SUS é um passo importante para a saúde pública, reforçando a prevenção do câncer do colo do útero e melhorando a qualidade de vida das mulheres brasileiras.










