A piscicultura amazônica, conhecida por seus desafios complexos, especialmente na reprodução do pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo, está passando por uma transformação significativa. Uma nova abordagem tecnológica está sendo implementada pela Embrapa, em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o objetivo de prever de forma mais precisa o momento da reprodução desse gigante aquático. A inovação utiliza inteligência artificial para monitorar o comportamento do pirarucu em viveiros escavados, prometendo reduzir as perdas na piscicultura.
Tecnologia e monitoramento avançado
No projeto em questão, foram instaladas 12 câmeras em viveiros, que funcionam das 6h às 18h, capturando imagens durante todo o período de luz do dia. Este sistema permite que a inteligência artificial detecte cada vez que o pirarucu sobe à superfície para respirar, registrando com precisão o momento e o local do evento. Esses dados são compilados em planilhas detalhadas, oferecendo aos produtores informações objetivas e abrangentes, em contraste com as tradicionais observações humanas que são mais propensas a erros.
Impacto na piscicultura
A introdução dessa tecnologia representa uma mudança de paradigma na forma como a piscicultura é gerida. Os algoritmos desenvolvidos têm a capacidade de substituir parte do trabalho humano, proporcionando registros contínuos que revelam padrões de atividade e interação dos peixes, além de mudanças ambientais nos viveiros. Este tipo de monitoramento contínuo e detalhado é vital para a compreensão das condições ideais de reprodução do pirarucu, podendo levar a práticas mais eficientes e sustentáveis.
Desenvolvimento e financiamento
O projeto é financiado por um consórcio de pesquisa internacional denominado Aquavitae, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT) e por uma emenda parlamentar do senador Eduardo Gomes, do Tocantins. Este financiamento tem sido crucial para o desenvolvimento e implementação da tecnologia, que exige não apenas equipamentos de alta tecnologia, mas também o treinamento de redes neurais para reconhecer o pirarucu no ambiente aquático.
Treinamento da inteligência artificial
Para que a inteligência artificial possa identificar o pirarucu, foi necessário um processo de treinamento minucioso. Os pesquisadores realizaram a marcação manual dos limites dos viveiros e dos pontos onde o peixe aparece na superfície. Com base em cerca de 200 imagens, a rede neural foi treinada para distinguir o corpo do pirarucu da água e das bordas do tanque, aprendendo a diferenciar a cabeça, o tronco e a cauda do peixe de outros elementos no ambiente.
Desdobramentos futuros
A expectativa é que este projeto não só melhore a eficiência da piscicultura de pirarucu, mas também sirva como modelo para outros projetos de aquicultura na Amazônia e além. A aplicação de inteligência artificial em ambientes naturais representa um avanço significativo para o setor, podendo contribuir para uma piscicultura mais sustentável e lucrativa. Além disso, a tecnologia pode abrir portas para novas pesquisas e desenvolvimento de práticas inovadoras em outras áreas da biologia e ecologia aquática.
Fonte: https://agro.estadao.com.br












